MNU Bahia

Creuza Oliveira será a primeira trabalhadora doméstica do Brasil a ser Doutora Honoris Causa

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A presidenta de honra da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), secretária de Formação Sindical e de Estudos do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia (SINDOMÉSTICO/BA) e coordenadora-geral do Instituto 27 de Abril, Creuza Oliveira, vai receber o Título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O dia da solenidade de entrega da honraria ainda será divulgado. Ela será a primeira liderança sindical da categoria das trabalhadoras domésticas a receber essa homenagem no Brasil.

Creuza Oliveira durante o Encontro Estadual do MNU Bahia 2023

O grupo que preparou o memorial sobre Creuza Oliveira para a análise da concessão do Título foi coordenado pela professora Elisabete Pinto, do Instituto de Psicologia (IPS) da UFBA. Participaram também a professora e pesquisadora visitante Emérita da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mary Garcia Castro; José Ribeiro, representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT); a deputada estadual Olívia Santana; o jornalista Pedro Castro; Renato Resende, juiz do Trabalho (TRT); Patrícia Carla Zucoloto e Mariana da Cruz Silva, ambas do IPS/UFBA, dentre outros.

Da FENATRAD participaram Luiza Batista, coordenadora-geral; Cleide Pinto, coordenadora de Atas; Francisco Xavier, coordenador de Finanças; e Milca Martins, presidenta do SINDOMÉSTICO/BA. Cleusa Silva, da Casa Laudelina de Campos Melo, também integrou o grupo.

Para Elisabete Pinto, “Creuza de Oliveira é uma intelectual orgânica que conseguiu organizar as mulheres negras de todo Brasil em torno da questão laboral. Poucos doutores conseguem que o conhecimento produzido por eles na academia tenha um impacto social e possa transformar vidas. Creuza é doutora porque logrou conquistar os direitos humanos das trabalhadoras domésticas. A UFBA compreende a sua importância da sua luta”, disse.

Já Mary Garcia Castro afirma que “vem se afirmando um movimento aproximando a universidade e os movimentos sociais. Daí se fortalece o programa de Mestre de Saberes e a concessão de títulos a tais mestres formados em vivências de movimentos por justiça social, contra desigualdades sociais e por direitos humanos, como o das trabalhadoras domésticas. Assim a UFRJ deu o título de Dra. Honoris Causa à escritora Carolina de Jesus e agora a UFBA à Creuza Oliveira”, frisou.

Já a deputada estadual Olívia Santana pontuou que Creuza Oliveira dedicou sua vida à causa da dignidade das trabalhadoras domésticas. “Este lugar onde mais encontramos trabalho escravo no Brasil. Onde mais encontramos desrespeito, desvalorização, não reconhecimento de direitos trabalhistas. No caso das domésticas, apenas 30% têm a sua carteira de trabalho assinada. Creuza é uma pessoa absolutamente necessária, pois constrói conhecimento e serve à sociedade”, ressaltou.

A homenageada, Creuza Oliveira, ressalta a importância do Título. “A academia esteve distante do povo e das classes menos favorecidas. Os representantes desta classe só conseguiram chegar à universidade a partir da política de cotas. Foi daí que muitas pessoas tiveram que ‘engolir’ as filhas e filhos das domésticas, a população indígena e negra nas universidades. Este Título irá abrir portas para outras. É uma vitória muito importante para a nossa luta e para a nossa história”, afirmou.

Premiações

Creuza Oliveira recebeu, no último dia 1º, o título de comendadora da Ordem Dois de Julho – Libertadores da Bahia. Além disso, a sindicalista recebeu o Prêmio Revista Cláudia, “Mulheres que fazem a diferença”, em 2003. E o Prêmio Direitos Humanos, da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal, em 2003 e em 2011, pela luta contra o trabalho infantil e por igualdade racial. E em 2005 a Ordem do Mérito do Trabalho no Grau de Cavaleira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi indicada para o Prêmio 1.000 Mulheres para o Nobel da Paz em 2005; recebeu ainda o Troféu Raça Negra da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, no ano de 2013. E a homenagem “Mulheres Guerreiras”, da Previdência Social. E no Senado Federal o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, em 2015, dentre outras diversas honrarias.

Sobre

Movimento Negro Unificado (MNU) é uma organização pioneira na luta do Povo Negro no Brasil. Fundada no dia 18 de junho de 1978, e lançada publicamente no dia 7 de julho, deste mesmo ano, em evento nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo em pleno regime militar. O ato representou um marco referencial histórico na luta contra a discriminação racial no país.

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